Mercado Hoje (05/03): os primeiros pivôs de baixa aparecem e o alerta aumenta
Mercado hoje volta a cair e os primeiros pivôs de baixa se confirmam. O mercado está avisando — o movimento maior pode estar a caminho.
O mercado hoje não deu trégua. Após a recuperação de ontem, que muitos interpretaram como sinal de alívio, o índice voltou a cair com força, perdendo mais de 2,5% e operando abaixo dos 181 mil pontos na mínima do dia — apagando boa parte do movimento positivo da véspera e deixando um recado claro: a pressão não passou.
O clima externo seguiu pesando. A guerra entre EUA e Israel contra o Irã entrou no sexto dia sem qualquer sinalização de recuo, com o Estreito de Ormuz ainda sob controle da Guarda Revolucionária iraniana e o petróleo subindo pelo sexto pregão consecutivo. Wall Street abriu no vermelho, com o Dow Jones recuando cerca de 1,6%, devolvendo o otimismo cauteloso que havia surgido na véspera. O dólar voltou a pressionar, retornando à faixa de R$ 5,25, e os juros futuros subiram por toda a curva — um sinal de que o mercado está longe de precificar calmaria.
No cenário doméstico, a XP alertou que a escalada do conflito e a alta do petróleo podem afetar o ciclo de corte da Selic, adicionando mais uma camada de incerteza sobre o ambiente de juros no Brasil.
É nesse cenário que os primeiros pivôs de baixa começam a aparecer no gráfico do Ibovespa. O movimento de hoje não foi um acidente isolado — foi uma confirmação. E quem estava esperando um sinal mais claro sobre a direção do mercado pode estar recebendo exatamente isso agora.
Conteúdo
Destaques do pregão do Mercado Hoje
No campo corporativo, o pregão desta quinta-feira trouxe movimentos relevantes dentro e fora do Ibovespa. Os grandes bancos lideraram as perdas, com Santander, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú acumulando quedas acima de 2,5%, pesando diretamente sobre o índice. A Vale (VALE3) não ficou atrás, chegando a perder mais de 4% na sessão, pressionada pelo clima externo e pela aversão ao risco global.
Fora do índice, os holofotes ficaram para Embraer (EMBJ3), que chegou a cair mais de 5% na sessão, e para as petroleiras de menor porte, que nadaram contra a maré — PRIO3, RECV3 e BRAV3 operaram em alta, beneficiadas pela escalada do petróleo. A Braskem (BRKM5) também se destacou na ponta positiva, avançando mais de 5% e figurando entre as maiores altas do dia.
Maiores altas
O pregão desta quinta-feira trouxe movimentos expressivos na ponta positiva, com destaque para papéis ligados a commodities e energia. A Braskem (BRKM5) liderou os ganhos do dia, disparando 16,94%, em um movimento que chamou atenção pelo tamanho e pela velocidade da alta.
Na sequência, RECV3 avançou 2,80% e PRIO3 subiu 2,59%, ambas beneficiadas pela escalada do petróleo pelo sexto pregão consecutivo. UGPA3 (+0,50%) e PETR4 (+0,47%) completaram a lista das cinco maiores altas do dia, sinalizando que o setor de energia foi o grande porto seguro em meio ao tombo generalizado do índice.
Maiores baixas
Na ponta negativa, RENT4 liderou as perdas com queda de 7,26%, refletindo o momento difícil do setor de locação de veículos em um ambiente de juros ainda elevados e aversão ao risco crescente.
BEEF3 recuou 6,42%, enquanto CSNA3 caiu 6,12%, pressionada pelo clima negativo sobre o setor siderúrgico. Embraer (EMBJ3) também figurou entre as maiores baixas, cedendo 5,71% na sessão, e MBRF3 (-5,65%) completou a lista, refletindo um pregão de forte pressão vendedora nas blue chips e empresas de maior exposição ao ciclo econômico.
O que observar nos próximos dias
Por mais que parte do mercado ainda resista à ideia, o cenário técnico aponta para uma possibilidade que não pode mais ser ignorada: a região dos 193 mil pontos pode ter sido o topo do ano. Alertamos sobre esse nível desde o final de 2025, identificando ali uma projeção de longo prazo por Fibonacci com alto potencial de reversão. O mercado atingiu esse alvo, entregou uma queda forte e agora começa a construir estrutura de baixa — um roteiro que merece respeito.
Volto a insistir — mesmo que você não acredite, apenas saiba que esse cenário existe.

As médias móveis começam a virar gradualmente para baixo, os pivôs começam a aparecer e a pressão vendedora não dá sinais claros de esgotamento. Para que o cenário baixista seja descartado, o índice precisaria de uma recuperação consistente e sustentada — e por ora, não há nada no gráfico que indique isso.
Há ainda um fator adicional que merece atenção: a Petrobras (PETR4), um dos papéis de maior peso no Ibovespa, vem sendo sustentada pela alta do petróleo, que sobe pelo sexto pregão consecutivo em meio às tensões no Estreito de Ormuz. Enquanto o petróleo seguir pressionado para cima, PETR4 funciona como um amortecedor para o índice. Mas qualquer recuo mais expressivo no preço do barril — seja por um cessar-fogo, por uma abertura do estreito ou por queda na demanda global — pode fazer as ações da estatal sentirem rapidamente, retirando um dos poucos suportes que ainda seguram o Ibovespa nesse momento.
Os próximos pregões serão decisivos — e quem não estiver prestando atenção pode se surpreender com o que vem pela frente.
Análise Bitcoin
Hoje o Bitcoin digere a forte alta de ontem, operando em modo de consolidação. É um comportamento natural e saudável — movimentos de alta raramente acontecem em linha reta, e uma pausa após uma recuperação expressiva faz parte do processo.
A análise para os próximos dias segue essencialmente a mesma de ontem: enquanto os suportes seguirem preservados e as médias mantiverem a inclinação positiva, o cenário aponta para uma continuidade da recuperação. A tendência de curto prazo passou a ser altista, e não há motivo técnico para mudar essa leitura por enquanto.
O principal risco no radar continua sendo o Oriente Médio. Qualquer escalada mais severa do conflito pode mudar o humor do mercado global rapidamente — e o Bitcoin, apesar de se comportar de forma relativamente independente nesse momento, não está imune a um choque de aversão ao risco mais intenso.
A expectativa segue sendo que, nos próximos dias, o Bitcoin retome a trajetória de alta e busque gradualmente a região dos US$ 88 mil — desde que o cenário geopolítico não traga surpresas negativas relevantes.
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