EMBJ3: queda após resultados leva papel a região de suportes
Embraer (EMBJ3) cai 20% desde o topo de janeiro e chega à região de fortes suportes técnicos. Oportunidade à vista?
As ações da Embraer (EMBJ3) acumulam uma queda expressiva desde o topo de janeiro, quando os papéis chegaram à região dos R$ 102. Hoje, após um pregão de forte pressão, o ativo opera na faixa dos R$ 81 — uma desvalorização de cerca de 20% em pouco menos de dois meses. Para muitos investidores, esse tipo de movimento gera desconforto. Mas é exatamente nesses momentos que vale a pena olhar com mais atenção para o ativo — especialmente quando os fundamentos seguem sólidos e o gráfico começa a mostrar regiões importantes.
Resultado do 4T25: misto, mas melhor do que o mercado temia
A Embraer divulgou hoje seu balanço do quarto trimestre de 2025, e o resultado veio com cara de dois lados. A receita cresceu 4,3%, atingindo R$ 14,34 bilhões, mas o lucro líquido ajustado recuou 20,4% na comparação anual, chegando a R$ 832 milhões — reflexo direto da pressão das tarifas americanas, mudanças no mix de clientes e custos de produção mais elevados.
No entanto, o que chamou atenção positivamente foi o volume de entregas: a empresa entregou 91 aeronaves no 4T25, alta de 21% sobre o mesmo período de 2024, encerrando o ano com 244 aeronaves entregues — crescimento de 18% no acumulado. O fluxo de caixa livre ajustado também surpreendeu, chegando a R$ 4 bilhões no trimestre.
A avaliação dos analistas foi predominantemente positiva. O Santander destacou que os resultados vieram melhores do que o esperado, com o Ebit recorrente entre 1% e 4% acima das estimativas — já que o mercado precificava um impacto mais severo das tarifas no balanço. Por outro lado, o Ebitda e o lucro líquido ficaram abaixo do consenso Bloomberg, com a margem Ebitda recuando de 14,2% para 11,2% na comparação anual.
Um ponto relevante para os próximos trimestres: o CEO Francisco Gomes Neto confirmou que as tarifas americanas foram zeradas para motores e peças da Embraer desde 24 de fevereiro — um alívio que ainda não apareceu nos números mas deve impactar positivamente os resultados à frente.
Os fundamentos que sustentam a tese
Dólar forte joga a favor
A Embraer é uma empresa essencialmente exportadora. Grande parte de sua receita é denominada em dólar, o que significa que um ambiente de câmbio mais elevado tende a beneficiar diretamente as margens da companhia. Com o dólar pressionado para cima e sem sinais claros de reversão no curto prazo, esse fator segue como um vento favorável para os resultados da empresa.
Rearmamento global e demanda militar em alta
O cenário geopolítico atual, marcado por conflitos e pelo aumento generalizado dos orçamentos militares ao redor do mundo, coloca a Embraer em uma posição estratégica interessante. O portfólio militar da empresa — com destaque para o KC-390 Millennium e o A-29 Super Tucano — está bem posicionado para capturar parte dessa demanda crescente. O JPMorgan destacou que a cooperação com a Mahindra pode resultar em pedidos de 40 a 80 aeronaves ainda em 2026.
O que reforça ainda mais essa tese é a diversificação geográfica da carteira militar da Embraer. O KC-390 Millennium já foi adquirido por países como Portugal, Coréia do Sul, Hungria, Áustria, Holanda e República Tcheca — todos membros da OTAN, em pleno processo de rearmamento. Já o A-29 Super Tucano opera em mais de 15 países, incluindo Colômbia, Indonésia, Líbano e Uzbequistão, entre outros. Essa presença em diferentes continentes e regimes políticos mostra que a demanda pelo portfólio militar da empresa não depende de um único mercado — e em um mundo cada vez mais instável, isso tem valor estratégico difícil de ignorar.

Domínio no nicho de jatos regionais
No segmento comercial, a Embraer segue como líder absoluta no nicho de aeronaves entre 70 e 130 assentos com a família E-Jet E2 — um mercado em que não há concorrente direto de peso. A parceria com o grupo indiano Adani para o modelo E175 pode gerar encomendas a partir de 2026, com entregas previstas a partir de 2028.
Backlog recorde e guidance otimista
A carteira de pedidos encerrou 2025 em US$ 31,6 bilhões — recorde histórico, com crescimento de 20% sobre o ano anterior. Para 2026, a empresa projeta entre 80 e 85 entregas de aeronaves comerciais, mirando retomar o patamar de 100 aviões entre 2027 e 2028.
Análise Técnica
Do ponto de vista técnico, o papel chegou a uma região bastante interessante — e o que chama atenção não é um indicador isolado, mas sim a convergência de três fatores apontando para a mesma faixa de preços, o que tende a tornar o suporte mais robusto.
O primeiro deles é a LTA (Linha de Tendência de Alta). Importante mencionar que, pessoalmente, não sou o maior entusiasta desse indicador — pequenas alterações na inclinação da linha podem distorcer bastante os valores na região analisada, o que reduz um pouco a minha confiança nele como referência isolada. Ainda assim, sua presença nessa faixa é um dado que não pode ser ignorado.
O segundo fator, esse sim com muito mais peso na minha leitura, são as médias móveis de 200 períodos — tanto a aritmética quanto a exponencial — que passam exatamente por essa região. As médias de 200 são amplamente acompanhadas pelo mercado e historicamente funcionam como zonas de suporte e resistência relevantes. Ter as duas convergindo no mesmo nível reforça significativamente a importância da faixa.

O terceiro ponto — e o que eu mais confio nessa análise — é a projeção por Fibonacci da pernada de baixa iniciada em janeiro. O papel aparentemente cumpriu a projeção esperada para esse movimento de correção, chegando à faixa dos R$ 80. Quando o preço atinge uma projeção de Fibonacci em confluência com outros suportes, o sinal merece atenção redobrada.
Três indicadores diferentes, na mesma região, apontando para o mesmo suporte. O gráfico está dando um recado claro — agora cabe ao mercado responder.

Conclusão — e agora, o que fazer?
Resultado operacional sólido, isenção tarifária nos EUA a partir de fevereiro, backlog recorde, fundamentação técnica convergindo em uma região de suporte relevante e uma queda de 20% desde o topo. O contexto começa a ser interessante — mas o momento ainda pede cautela antes de qualquer movimento.
O papel chegou a uma região importante, mas ainda não há sinais claros de reversão. A leitura mais prudente para os próximos dias é monitorar o comportamento do ativo sobre essa faixa de suporte. Caso o mercado apresente uma reação consistente nessa região — com candles de força, volume e confirmação nos próximos pregões — uma entrada pequena, com capital reduzido e stop loss posicionado abaixo dos R$ 80, seria uma alternativa razoável para quem quer participar do movimento sem se expor demais.
Vale lembrar: o conteúdo apresentado aqui tem caráter exclusivamente educacional e informativo, e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Cada investidor deve avaliar sua própria situação financeira, perfil de risco e objetivos antes de tomar qualquer decisão de investimento. Consulte um profissional habilitado caso necessário.
O risco, no entanto, precisa ser considerado com seriedade. O mercado ainda segue assustado com o conflito no Oriente Médio, o humor global segue frágil e, como temos alertado consistentemente, não podemos descartar que os 193 mil pontos tenha sido o topo do ano no Ibovespa. Se esse cenário se confirmar e o mercado como um todo seguir cedendo nos próximos dias, dificilmente EMBJ3 ficará imune à pressão — por melhor que sejam seus fundamentos.
Por isso, a palavra de ordem aqui é aguardar confirmação. O suporte está mapeado, a tese está clara — mas entrar antes do sinal pode ser caro. Paciência, por ora, vale mais do que pressa.



