Mercado Hoje (04/03): falsa recuperação? Bitcoin confirma previsão
O mercado hoje tenta se recuperar, mas o risco de virar as médias para baixo ainda é real. Bitcoin entregou o candle B previsto e mira os US$ 88k
O mercado hoje ensaiou uma tímida recuperação, operando em leve alta após o tombo de 3,28% sofrido na véspera — a maior queda do índice desde dezembro de 2025. O alívio veio principalmente na esteira de rumores sobre um possível cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, após agentes da inteligência iraniana tentarem contatar a CIA sobre tratativas do conflito. O dólar, que havia disparado para acima de R$ 5,28 ontem, recuava cerca de 1%, voltando à região de R$ 5,20.
Mas sejamos honestos: foi um pregão sem graça e sem convicção. O mercado respirou, mas não deu sinais claros de que a pressão passou. A média de 20 períodos segue tentando segurar o mercado mas precisaria de mais uma alta consistente na sequência para defender que as médias não se cruzem definitivamente para o lado baixista. Caso venha uma queda mais forte amanhã, esse risco se torna bastante concreto.
No radar do dia, a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em nova fase da Operação Compliance Zero, com investigações apontando quatro núcleos criminosos, incluindo um de corrupção institucional voltado à cooptação de servidores do Banco Central — um escândalo que segue acendendo alertas em Brasília. No front externo, a Guarda Revolucionária do Irã reafirmou ter controle total sobre o Estreito de Ormuz, mantendo o petróleo pressionado e o humor global ainda longe da normalidade.
Conteúdo
Destaques do pregão do Mercado Hoje
No campo corporativo, o pregão desta quarta-feira trouxe movimentos relevantes dentro e fora do Ibovespa. As ações do GPA (PCAR3) ensaiaram uma recuperação após o tombo brutal da véspera, com a empresa informando estar em negociações com credores para equacionar suas dívidas de curto prazo — um respiro após o susto de ontem, mas longe de significar que o problema está resolvido.
Fora do índice, os holofotes ficaram para PINE4, RAIZ4, KEPL3 e AZUL53. O Banco Pine levantou recursos com um follow-on precificado abaixo do fechamento anterior, o que gerou pressão nos papéis. A Raízen (RAIZ4) seguiu no radar após a Shell Brasil confirmar um aporte bilionário na joint venture, em meio a reuniões diárias com credores sobre a reestruturação financeira da companhia. A Kepler Weber (KEPL3) ainda digeria o impacto do fracasso da negociação de venda para a GPT.
Maiores altas
O pregão desta quarta-feira foi marcado por uma forte recuperação em alguns papéis específicos, com movimentos bastante expressivos na ponta positiva. PCAR3 liderou os ganhos do dia, disparando 14,67%, em um movimento de recuperação técnica após a forte pressão recente.
Na sequência, BRKM5 avançou 13,72%, mantendo a volatilidade elevada que tem marcado o ativo nos últimos pregões. MGLU3 também figurou entre os destaques, subindo 5,89%, enquanto NATU3 (+5,13%) e VAMO3 (+5,06%) completaram a lista das cinco maiores altas do dia, sinalizando apetite pontual por risco em setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
Maiores baixas
Na ponta negativa, RAIZ4 liderou as perdas com queda de 13,04%, devolvendo parte dos ganhos recentes e voltando ao radar dos investidores após forte oscilação nos últimos dias.
ASAI3 recuou 3,35%, enquanto SUZB3 caiu 1,34%, refletindo um dia de ajustes mais moderados entre as blue chips. PETR4 (-1,10%) e PETR3 (-0,72%) também fecharam no vermelho, acompanhando a leve pressão sobre o setor de commodities e ajudando a limitar um avanço mais consistente do índice.
O que observar nos próximos dias
O mercado hoje ensaia uma recuperação, mas o cenário técnico ainda pede cautela. Para que o mercado transmita um sinal mais tranquilizador, o índice precisaria sustentar fechamentos acima dos 187.500 pontos nos próximos pregões — qualquer queda mais forte a partir daqui já seria suficiente para virar as médias móveis definitivamente para baixo, confirmando uma tendência de queda no curto prazo.

O que chama atenção é a semelhança gráfica com um momento muito específico da história recente: o topo pré-covid em 2020. Naquela ocasião, o mercado também registrou um dia de forte queda, seguido de uma recuperação no pregão seguinte — que se revelou uma falsa retomada. O índice então entrou em uma congestão lateral por alguns dias, as médias foram virando para baixo gradualmente, e quando o movimento de queda para valer começou, não havia mais dúvida sobre a direção.
O cenário atual apresenta contornos muito parecidos. A recuperação de hoje pode ser apenas o “dia seguinte” daquele roteiro — um respiro técnico antes da definição. O maior risco, no nosso ponto de vista, continua sendo exatamente esse: que estejamos repetindo o script de 2020, com o mercado se organizando silenciosamente para a próxima queda.
Os próximos pregões serão decisivos. Fique atento.
Análise Bitcoin
A expectativa apresentada ontem foi confirmada. O Bitcoin reagiu com força ao longo do dia, encontrando exatamente o gatilho que identificamos na análise anterior — onde dois cenários estavam sobre a mesa: o candle (A), que abriria espaço para uma aceleração das quedas, ou o candle (B), nossa aposta, que sinalizaria retomada e abriria caminho para buscar a região dos US$ 88 mil.

O mercado escolheu o roteiro construtivo. Com a recuperação de hoje, as médias móveis diárias já começam a virar para cima, o que nos permite dizer que, por médias, a tendência de curto prazo passou a ser altista — uma mudança relevante de configuração após semanas de pressão vendedora.
Nos próximos dias, é natural esperar alguma correção pontual antes de uma nova tentativa de avanço — movimentos de alta raramente acontecem em linha reta. Mas enquanto os suportes seguirem preservados e as médias mantiverem a inclinação positiva, o cenário segue favorável para uma busca gradual em direção à faixa dos US$ 88 mil nas próximas semanas.
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