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Mercado Hoje (11/03): O Deja Vu que Ninguém Quer Ver se Repetir

Mercado hoje em região de decisão: fractais de 2020 aparecem no gráfico e reforçam a ideia de topo do ano nos 193k. Não ignore.

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Por Rumos da Bolsa

O mercado hoje pode estar desenhando uma figura bem diferente da que eu esperava ontem. Confesso que, no meio da tarde de ontem, eu já estava montando o post com uma leitura específica — aquele candle que estava sendo formado me deu um deja vu forte de 2014, e eu estava quase certo de que a história ia se repetir. Mas o mercado não confirmou: no fechamento, o candle enfraqueceu, a figura desapareceu e o post ficou na gaveta.

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Hoje, porém, o mercado voltou a chamar atenção — só que agora o deja vu mudou de endereço. Não é mais 2014. É 2020. E quem viveu o período pré-Covid nos mercados sabe que isso merece atenção redobrada. Mas calma — explico melhor mais abaixo.

Mas chega de deja vu — vamos ao que importa hoje.

A quarta-feira (11) abre com o mundo ainda de olho no Oriente Médio, agora no 11º dia de guerra entre EUA, Israel e Irã — e o cenário continua longe de uma resolução. O Estreito de Ormuz segue fechado e os conflitos se intensificam, mantendo os preços do petróleo pressionados mesmo após a forte queda de ontem. WTI sobe 4,78%, para US$ 87,44, e o Brent avança 5,03%, para US$ 92,22 nesta tarde.

No noticiário mais preocupante do dia, funcionários russos da usina nuclear de Bushehr, no Irã, começaram a ser evacuados do país — um detalhe que não passou despercebido e acende um alerta adicional sobre o risco de escalada. A AIE propôs a maior liberação de petróleo de reservas estratégicas da história, superando os 182 milhões de barris liberados após a invasão da Ucrânia em 2022, mas o efeito amortecedor foi limitado.

Na Europa, as bolsas operam no vermelho: STOXX 600 -0,74%, DAX -1,13% e FTSE 100 -0,79%. O BCE, que antes ensaiava um corte de juros, agora enfrenta pressões inflacionárias renovadas. Na Ásia, o quadro foi misto: Nikkei +1,51% e Shanghai +0,25%, enquanto o Nifty 50 recuou 1,63%.

Nos EUA, o pregão desta quarta opera com leve viés negativo — Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuam de forma moderada, com o mercado ainda digerindo o CPI de fevereiro. O dado não trouxe surpresas negativas, mas analistas já projetam que a inflação deve subir nos próximos meses por conta da guerra — o que complica a leitura do Fed na reunião da semana que vem.

No Brasil, o Ibovespa encerrou o pregão desta quarta aos 183.969 pontos, acumulando 2,57% na semana. O dólar fechou a R$ 5,18, enquanto os juros futuros subiram por toda a curva — refletindo o ambiente de maior aversão ao risco com o conflito no Oriente Médio ainda sem resolução.

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Destaques do pregão do Mercado Hoje

No campo corporativo, o destaque desta quarta-feira é a Raízen (RAIZ4), que protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar suas dívidas — e já conta com a adesão expressa de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras da companhia. O movimento segue o mesmo caminho do GPA (PCAR3), que fez o mesmo no dia anterior, reforçando o sinal de estresse em empresas com exposição elevada a juros altos por período prolongado.

Outro ponto de atenção no radar corporativo é o impacto da guerra nos fertilizantes: analistas alertam que a ureia já registrou alta de 33% no custo, com potencial de começar a pressionar o preço dos alimentos na próxima safra caso o conflito se prolongue — um risco adicional para a inflação brasileira, que já enfrenta um ambiente de juros ainda elevados.

E hoje não faltam catalisadores no campo corporativo. O dia 11 de março concentra o maior número de divulgações de resultados do 4T25 de toda a temporada, com destaque para os setores imobiliário, petróleo e gás, tecnologia e varejo. Entre os nomes esperados estão construtoras como MRV (MRVE3), Cury (CURY3) e Moura Dubeux (MDNE3), empresas do setor educacional como Yduqs (YDUQ3) e Cogna (COGN3), além de Magazine Luiza (MGLU3), Hypera (HYPE3) e Energisa (ENGI11). Com tanta divulgação concentrada num único pregão, o potencial de volatilidade por papel é alto — e qualquer surpresa, positiva ou negativa, pode movimentar setores inteiros.

Maiores altas

Na ponta positiva, o pregão desta quarta trouxe um movimento interessante liderado pelas petroleiras, num dia em que o petróleo voltou a subir. A Petrobras dominou o topo das altas, com PETR3 avançando 4,89% e PETR4 subindo 4,36% — refletindo diretamente a pressão do Brent e do WTI no mercado internacional. Na sequência, CURY3 subiu 4,13%, num dia que também marca a divulgação de resultados da construtora. LREN3 (+3,02%) e BRKM5 (+2,38%) completaram o grupo das principais altas da sessão.

Maiores baixas

Na ponta negativa, o destaque preocupante ficou para a Raízen (RAIZ4), que despencou 5,77% — e não é difícil entender o motivo: o pedido de recuperação extrajudicial protocolado hoje jogou o papel para o fundo da lista. MBRF3 recuou 4,24% e CSAN3 cedeu 2,29%, ambas sofrendo em meio ao ambiente de aversão ao risco. ALOS3 (-2,14%) e AURE3 (-2,06%) completaram as maiores perdas do pregão.

Análise Técnica: O que observar nos próximos dias

Retomando o que comentamos no início do post — o Ibovespa segue naquela região de briga da MME8 semanal, conforme discutido na segunda-feira. Mas foi o gráfico diário que chamou atenção nesses últimos dois pregões.

Gráfico do Ibovespa hoje comparando timeframe semanal e diário, mostrando suporte no semanal enquanto o gráfico diário encontra resistência na MME8.
No gráfico semanal, o Ibovespa segue em uma região de suporte relevante que pode sustentar o índice, enquanto no gráfico diário o mercado ainda demonstra fraqueza ao não conseguir romper a MME8.

O mercado segue padrões. E esses padrões — os chamados fractais — se repetem ao longo dos anos para quem aprende a reconhecê-los. Quando isso acontece, é inevitável lembrar de episódios passados.

Ontem, no meio da tarde, o Ibovespa estava desenhando um candle que remetia ao início de uma queda que durou quase um ano e meio entre 2014 e 2016 (candle em destaque azul à esquerda). A figura em questão aciona o nosso Setup RDB de queda: uma alta de volta até acima da MME20 (linha azul), que historicamente abre espaço para novas quedas. O mercado chegou a ensaiar essa estrutura — mas no fechamento, o candle desarmou e a figura foi descartada.

Só que agora o quadro ficou ainda mais interessante. O mercado hoje não conseguiu nem romper a MME8 — mostrando, talvez, ainda mais fraqueza do que o esperado ontem. Essa configuração específica, com o índice incapaz de superar sequer a MME8, foi avistada em 2020 — pouco antes de o cenário ficar consideravelmente mais turbulento, como mostra o gráfico à direita abaixo (destaque verde).

No mercado hoje, você vê a comparação entre Ibovespa em 2014 e 2020 mostrando padrão semelhante de fraqueza após falha em superar médias móveis, com possível fractal de queda.
Padrões de mercado muitas vezes se repetem: a fraqueza atual do Ibovespa lembra estruturas observadas em 2014 e também em 2020, quando a incapacidade de superar médias importantes antecedeu movimentos de queda mais fortes.

Vale reforçar: o mercado ainda não tem tendência definida e se encontra exatamente numa região de decisão. Não há, por enquanto, nenhum sinal de perigo imediato e evidente — e não é isso que estamos dizendo. O que buscamos, a cada boletim, é manter o alerta aceso: na nossa leitura, existe um risco real de que o topo do ano tenha sido marcado nos 193 mil pontos, e o gráfico diário continua sugerindo que o mercado pode começar a ceder em breve.

Não é pânico. É atenção. O cenário ainda pode se resolver para cima — mas quem estiver posicionado sem considerar esse risco, pode ser pego de surpresa.

Análise Bitcoin

O Bitcoin segue sem grandes alterações na nossa leitura. O ativo oscilou bastante ao longo do dia, recuando para a faixa dos US$ 69 mil nas primeiras horas da manhã nos EUA, antes de reagir rapidamente e voltar a superar os US$ 70 mil — num movimento que, curiosamente, pareceu correlacionado com uma queda repentina de US$ 3 no barril de petróleo.

A leitura técnica segue a mesma: o BTC continua em consolidação, tentando virar as médias para cima e construindo o que, na nossa visão, pode ser uma acumulação de Wyckoff — aquela fase silenciosa em que o mercado se prepara para o próximo movimento antes que a maioria perceba. O nível estrutural importante no curto prazo segue sendo a região dos US$ 70 mil a US$ 70.700 — transformar essa faixa em suporte seria o primeiro passo para abrir espaço a regiões mais altas.

Por enquanto, sem pressa e sem alarme. O Bitcoin está fazendo o que precisa fazer.

E por falar em Método Wyckoff — em breve vem aí uma série completa aqui no blog cobrindo o tema do início ao fim. Fica ligado.

Quer entender a metodologia por trás desta análise? Acesse o Mercado Hoje — guia completo do boletim.

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