Mercado Hoje (09/03): MME8 semanal no centro da batalha entre touros e ursos
MME8 semanal no centro da disputa: mercado hoje enfrenta alta instabilidade e cenário técnico só deve se definir no fechamento de sexta
O mercado hoje abre uma semana que já começa diferente — e não apenas pelo pregão. A partir desta segunda-feira (9), a B3 passa a operar com novos horários, encerrando o mercado de ações às 17h, uma hora mais cedo do que o habitual, para manter o alinhamento com os centros financeiros globais durante o horário de verão americano. Mas o que realmente domina a abertura não é o relógio — é a guerra.
O conflito entre EUA e Israel contra o Irã entra no 10º dia consecutivo sem qualquer sinal de recuo. Na madrugada, ataques iranianos se espalharam pelo Golfo Pérsico, atingindo refinarias no Bahrein, Qatar e Kuwait. O resultado foi uma nova disparada do petróleo, que chegou a bater perto dos US$ 120 o barril na madrugada — tanto no Brent quanto no WTI — antes de recuar ao longo da tarde para abaixo dos US$ 100. Com a produção iraquiana colapsando 70% nos seus principais campos, analistas chegaram a falar que “o céu é o limite” para a commodity.
Os mercados globais acordaram no vermelho: Nikkei -5,24%, Stoxx 600 europeu -1,83% e futuros americanos recuando mais de 1%, com o fantasma da estagflação dos anos 1970 sendo evocado por analistas de Wall Street. No Brasil, o Ibovespa futuro abriu em queda de 0,53%, o dólar pressionando e os juros futuros subindo por toda a curva. O Boletim Focus desta manhã reforçou o tom: a projeção para a Selic em 2026 subiu para 12,13%.
A semana ainda traz IPCA, CPI americano e, na semana seguinte, as reuniões do Copom e do Fed — tudo isso com o petróleo ameaçando reacender a inflação dos dois lados do Atlântico.
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Destaques do pregão do Mercado Hoje
No campo corporativo, o destaque desta segunda-feira ficou para a Triunfo Participações (TPIS3), que divulgou resultados do 4T25 com números preocupantes: o prejuízo líquido multiplicou 12,7 vezes na comparação anual, chegando a R$ 322,7 milhões, enquanto a receita líquida ajustada recuou 12,9% no período. O balanço reforça a pressão sobre empresas do setor de infraestrutura num ambiente de juros ainda elevados.
Na ponta positiva, a Ultrapar (UGPA3) foi um dos destaques do pregão, subindo mais de 2% após notícias de que a companhia estaria em conversas avançadas para vender uma participação de 30% na Ipiranga para a Chevron. A movimentação acendeu o interesse do mercado e colocou o papel na contramão do índice.
A semana marca também a reta final da temporada de balanços no Brasil, com divulgações importantes no radar. Os setores de educação e construção civil concentram os destaques: Cogna (COGNA3) e Yduqs (YDUQ3) representam o primeiro grupo, enquanto Cury (CURY3) lidera o segundo — todos com resultados esperados ao longo dos próximos dias e com potencial de movimentar seus respectivos papéis.
Maiores altas
O pregão desta segunda-feira trouxe movimentos interessantes na ponta positiva, com destaque para papéis dos setores de energia e construção. A Azzas 2154 (AZZA3) liderou os ganhos do dia, avançando 5,38%, num movimento que chamou atenção em meio a um índice pressionado pelo cenário externo.
Na sequência, ENEV3 subiu 4,98% e CPFE3 avançou 3,73%, ambas figurando entre os destaques positivos da sessão. RAIL3 (+2,97%) completou o grupo das principais altas do dia.
Mas o movimento mais comentado ficou por conta da Embraer (EMBJ3), que subiu 2,76% e reagiu conforme a análise apresentada aqui na sexta-feira, quando apontamos o papel como uma oportunidade de compra após o forte tombo da semana anterior.
Maiores baixas
Na ponta negativa, o pregão desta segunda-feira refletiu o estresse do cenário externo, com pressão vendedora concentrada em papéis de consumo e serviços. A MRV (MRVE3) liderou as perdas do dia, recuando 7,85%, num movimento que reforça a dificuldade do setor de construção civil num ambiente de juros elevados e aversão ao risco crescente.
PCAR3 caiu 5,21%, enquanto CEAB3 cedeu 3,81%, ambas penalizadas pelo clima negativo sobre o setor de varejo e consumo doméstico. VIVA3 (-3,30%) e VAMO3 (-2,77%) completaram a lista, com a última acumulando mais um pregão difícil após já ter figurado entre as maiores baixas na semana passada — sinal de que o papel segue sofrendo pressão vendedora consistente.
Análise Técnica: O que observar nos próximos dias
O cenário de médio e longo prazo segue inalterado: caso o Ibovespa tenha de fato formado um topo de longo prazo na faixa dos 193 mil pontos, a tendência estrutural aponta para uma correção mais prolongada, com o índice ainda longe de esgotar o movimento de queda.
No entanto, o curto prazo pode reservar surpresas. O candle semanal do Ibovespa fechou exatamente sobre a MME8 semanal — uma média que historicamente funciona como suporte relevante e costuma atrair compradores. Isso abre espaço para que, ao longo desta semana, apareçam tentativas de recuperação, especialmente em papéis que sangraram na semana passada e que, tecnicamente, podem estar em zonas de interesse para compra.
O resultado é um ambiente potencialmente mais volátil e confuso do que o habitual: de um lado, a pressão macro da guerra e do petróleo; do outro, compradores de curto prazo apostando no suporte semanal. Essa disputa tende a gerar movimentos bruscos nos dois sentidos, sem necessariamente definir uma direção clara.
A leitura mais segura é aguardar o fechamento semanal de sexta-feira. Só então será possível avaliar se o suporte da MME8 segurou de fato — ou se o mercado já está sinalizando que a correção vai mais fundo.

O dólar merece atenção especial nessa mesma leitura. A situação cambial apresenta um espelho curioso do que ocorre no Ibovespa: enquanto o índice testa a MME8 semanal como suporte, o dólar se encontra testando essa mesma média — mas agora na condição de resistência. Ou seja, o câmbio chegou até ela e precisa decidir se rompe para cima ou recua.
Assim como no índice, a definição também não deve vir antes do fechamento semanal de sexta-feira. Até lá, o dólar tende a oscilar sem uma direção clara, num ambiente em que a guerra no Oriente Médio e a aversão ao risco global puxam para cima, enquanto um eventual alívio nas tensões poderia devolver parte da alta recente. Mais uma variável que transforma essa semana em um período de observação antes de qualquer conclusão técnica mais sólida.
Análise Bitcoin
O Bitcoin segue em modo de consolidação, digerindo os movimentos recentes sem grandes sustos. O comportamento é natural — pausas fazem parte de qualquer ciclo saudável de alta — e não há, por enquanto, motivo técnico para alterar a leitura positiva de curto prazo.
Enquanto os suportes seguirem preservados, a expectativa é de que o Bitcoin retome a trajetória de alta e vá buscar gradualmente a região dos US$ 88 mil nos próximos dias. O principal risco no radar continua sendo o Oriente Médio: uma escalada mais severa do conflito pode mudar rapidamente o humor dos mercados globais — e o Bitcoin, apesar de certa resiliência recente, não está completamente imune a um choque de aversão ao risco mais intenso.
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